AGRONEGÓCIO
Agro brasileiro sofre mais de 39 mil ataques cibernéticos em 2025 e alerta cresce com avanço da conectividade no campo
Agro 4.0 impulsiona produtividade, mas amplia superfície de ataque digital
O avanço da tecnologia no campo tem transformado a produção agrícola brasileira. Sensores inteligentes, máquinas autônomas, drones, sistemas de irrigação conectados e plataformas de rastreabilidade já fazem parte da rotina de fazendas, cooperativas e operações logísticas em todo o país.
Esse movimento elevou a produtividade e a eficiência do agronegócio, mas também ampliou significativamente a exposição do setor a ameaças cibernéticas.
Brasil registra mais de 39 mil ataques cibernéticos ao agro em 2025
De acordo com levantamento da ISH Tecnologia, o agronegócio brasileiro registrou mais de 39 mil ataques cibernéticos em 2025. O volume representa uma média superior a 3,2 mil tentativas de invasão por mês.
Os dados reforçam a entrada definitiva do setor no radar de grupos especializados em ransomware, sequestro de dados e extorsão digital.
Em escala global, o cenário também preocupa. O setor de alimentos e agricultura contabilizou 265 ataques de ransomware no mesmo período, segundo relatório da Food & Ag-ISAC, entidade internacional de monitoramento de ameaças cibernéticas no agro.
Conectividade no campo aumenta riscos operacionais
A expansão da conectividade no agronegócio é um dos principais fatores por trás do aumento da vulnerabilidade digital.
Hoje, operações agrícolas integram tecnologias operacionais (OT), dispositivos de Internet das Coisas (IoT), plataformas em nuvem e sistemas corporativos. Essa interligação, embora traga ganhos de eficiência, também amplia os pontos de acesso para ataques.
Quando comprometidos, esses sistemas podem impactar diretamente a produção, a logística, o armazenamento e até o abastecimento de alimentos.
Segurança digital passa a ser questão de continuidade operacional
No Brasil, o agronegócio responde por cerca de 25% do PIB e encerrou 2025 com recorde de US$ 169,2 bilhões em exportações, o que aumenta a relevância estratégica da proteção digital no setor.
Segundo especialistas, o risco cibernético deixou de ser apenas uma questão de proteção de dados e passou a afetar diretamente a continuidade operacional das empresas.
Para Rafaela Silva, Business Development Manager na Genetec, a segurança física e digital agora são indissociáveis dentro do ambiente produtivo.
“A transformação digital do agro ampliou significativamente a capacidade de monitoramento e eficiência das operações, mas também aumentou a exposição a riscos cibernéticos. Hoje, uma falha de segurança pode impactar desde sistemas de irrigação até cadeias logísticas e centros de distribuição”, afirma.
Ataques estão mais sofisticados e focados em operações críticas
O nível de complexidade das ameaças também aumentou. Em muitos casos, invasores atuam de forma silenciosa, mapeando acessos remotos, dispositivos conectados e vulnerabilidades por semanas antes de executar ataques.
As ações podem resultar em extorsão, paralisação de sistemas operacionais e roubo de informações estratégicas.
Integração entre segurança física e cibersegurança ganha força no agro
A convergência entre ambientes físicos e digitais tem exigido uma nova abordagem de proteção no campo. Câmeras inteligentes, controle de acesso, monitoramento remoto e análise de dados em tempo real já fazem parte da infraestrutura de grandes fazendas, cooperativas e centros logísticos.
Segundo especialistas, a resposta mais eficiente passa por uma estratégia integrada de segurança.
“O agro opera em um ambiente distribuído, com múltiplos acessos remotos, parceiros e dispositivos conectados. Isso exige uma estratégia integrada, em que segurança física e cibersegurança em camadas atuem juntas para proteger operações críticas e garantir resiliência”, destaca Rafaela.
Desigualdade tecnológica ainda é desafio para o setor
Outro ponto de atenção é a diferença no nível de maturidade digital entre os elos do agronegócio. Enquanto grandes grupos aceleram investimentos em automação e conectividade, muitas operações ainda lidam com sistemas desatualizados, baixa segmentação de redes e pouca visibilidade sobre vulnerabilidades.
Essa assimetria amplia os riscos e cria pontos de entrada para ataques em toda a cadeia produtiva.
Cibersegurança se consolida como pilar do Agro 4.0
Com a expansão do Agro 4.0, especialistas avaliam que a segurança digital tende a se tornar um dos pilares centrais da continuidade operacional do setor.
À medida que automação, monitoramento remoto e integração tecnológica avançam, cresce também a necessidade de estratégias robustas de proteção para garantir resiliência, estabilidade e segurança nas operações agrícolas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mato Grosso bate recorde no esmagamento de soja em maio e exportações de derivados avançam 41,8%
O estado de Mato Grosso registrou um novo recorde no esmagamento de soja em maio de 2026, consolidando o avanço da agroindústria no principal polo produtor do país. Os dados são do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgados na segunda-feira (15).
O volume processado chegou a 1,28 milhão de toneladas, alta de 6,98% em relação a abril e crescimento de 3,22% na comparação com maio de 2025.
O desempenho reforça o fortalecimento da cadeia da soja no estado, especialmente em um cenário de maior demanda por derivados e expansão da indústria de biodiesel.
Demanda por óleo de soja e biodiesel sustenta recorde de processamento
Segundo o Imea, o avanço no esmagamento foi impulsionado pela maior utilização da capacidade instalada das indústrias, além do aumento da demanda externa por óleo de soja e do crescimento do setor de biodiesel.
Esses fatores contribuíram para manter o ritmo elevado de processamento da oleaginosa, consolidando maio como o mês de maior volume já registrado no estado.
Exportações de derivados de soja sobem 41,8%
O aumento na produção também refletiu diretamente nas exportações. Mato Grosso exportou 21,69 mil toneladas de derivados de soja em maio, volume 41,80% superior ao registrado em abril.
O desempenho foi puxado principalmente pelo óleo de soja, que segue com forte demanda no mercado internacional e no setor energético, especialmente na produção de biodiesel.
Rentabilidade da indústria sofre pressão com custos e preços
Apesar do cenário positivo em volume e exportações, o setor industrial enfrentou pressão sobre as margens de esmagamento ao longo do mês.
De acordo com o Imea, a valorização de 1,18% da soja em grão, somada à queda nos preços dos coprodutos, reduziu a rentabilidade das indústrias processadoras.
Como resultado, a margem bruta de esmagamento recuou 7,82% na comparação mensal, encerrando maio com média de R$ 639,84 por tonelada processada.
Setor segue forte, mas com atenção à rentabilidade
O recorde no processamento reforça a importância de Mato Grosso na agroindústria da soja, enquanto o crescimento das exportações de derivados evidencia a competitividade do estado no mercado internacional.
Por outro lado, a queda na margem industrial indica um cenário de maior pressão de custos, que deve seguir no radar do setor nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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