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Google enfrenta processos nos EUA por rastreamento de localização

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Google enfrenta processos em estados americanos por práticas de rastreamento de localização
Murilo Tunholi

Google enfrenta processos em estados americanos por práticas de rastreamento de localização

Um grupo de promotores de vários estados americanos, incluindo Texas, Indiana e Washington DC, disse nesta segunda-feira (24) que está processando o Google, da Alphabet.

Segundo eles, mesmo quando os consumidores desativam o rastreamento de localização em seus telefones, o Google continua a rastrear seus movimentos usando uma função separada chamada “atividade na Web e em aplicativos”, disseram os procuradores, citando um relatório da Associated Press de 2018 como base para a afirmação.

Além disso, disseram que a empresa removeu um aviso ao consumidor alegando que “os lugares que você frequenta não são mais armazenados”. Partes dos processos foram redigidas, e a cópia da queixa de Washington D.C. dizia ter sido arquivada sob sigilo.

“Na realidade, independentemente das configurações selecionadas, os consumidores que usam produtos do Google não têm outra opção a não ser permitir que a empresa colete, armazene e use sua localização”, de acordo com uma reclamação postada nas redes sociais por Washington D.C.

As reivindicações representam mais um desafio legal à coleta de informações do Google, que está sob intenso escrutínio de reguladores e defensores do consumidor, alegando que é mais invasivo do que os consumidores desejam ou imaginam.

A empresa já está enfrentando dúvidas sobre se continua a rastrear navegadores que acreditam que seu “modo de navegação anônima” encobre sua identidade e se os usuários podem bloquear efetivamente seus cookies de rastreamento de atividades.

Jose Castañeda, um porta-voz do Google, disse em comunicado que os processos são “baseados em alegações imprecisas e afirmações desatualizadas sobre nossas configurações. Sempre incluímos recursos de privacidade em nossos produtos e fornecemos controles robustos para dados de localização. Vamos nos defender vigorosamente e esclarecer as coisas”.

De acordo com os procuradores-gerais, a empresa também possui configurações de usuário conflitantes e confusas, tornando quase impossível para os consumidores impedirem o Google de coletar seus dados de localização.

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“Definitivamente confusas”

O processo do Distrito de Columbia citou discussões internas do Google em que funcionários disseram que suas divulgações de histórico de localização eram “definitivamente confusas” e que as configurações da conta pareciam projetadas para criar a ilusão de controle do usuário, mas eram “difíceis o suficiente para que as pessoas não percebessem. ” A denúncia não citava a fonte das informações.

Os processos dizem que as táticas duraram de 2014 a pelo menos 2019 e ocorreram por meio de dispositivos que usavam o sistema operacional Android do Google, bem como aplicativos do Google e serviços baseados na web, como pesquisa e mapas.

Um caso semelhante foi aberto contra o Google pelo estado do Arizona em 2020, segundo o qual,  “o Google torna impraticável, se não impossível, que os usuários optem por não participar da coleta de informações de localização”.

Como os casos anunciados nesta segunda-feira, o processo do Arizona diz que o Google continuou a rastrear os movimentos dos usuários por meio de “atividades na Web e de aplicativos” e outros meios, mesmo que optassem por desativar o histórico de localização.

O Google disse que introduziu uma série de novos recursos que dão aos usuários mais controle sobre seus dados, incluindo exclusão automática de dados de localização, modo de navegação anônima nos mapas do Google e divulgações mais detalhadas sobre sua política.

O Google tem sido objeto de vários processos nos últimos anos. Em julho, 36 estados e o promotor público da capital, Washington, processaram a subsidiária Alphabet por supostas práticas anticompetitivas relacionadas à sua loja de aplicativos Google Play.

Dois outros processos estão em andamento nos Estados Unidos relacionados à posição dominante do buscador Google, e um terceiro à tecnologia utilizada na publicidade.

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FOMO de streaming: enxurrada de lançamentos afetou minha saúde mental

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Plataformas oferecem cada vez mais opções de séries e filmes
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Plataformas oferecem cada vez mais opções de séries e filmes

Por Paula Alves

Lembro que quando Round 6 foi lançado pela Netflix, em setembro de 2021, um sinal vermelho acendeu na minha cabeça com a palavra FOMO em destaque. Eu assisti à série praticamente uma semana depois do seu lançamento, mas me senti mal porque mesmo em tão pouco tempo, já havia perdido o timing das conversas no Twitter e dos memes que o show havia gerado. O tópico do momento já estava concentrado em alguma outra série, filme ou reality show que era a nova bola da vez nos streamings – e que, claro, eu também ainda não tinha tido tempo de conferir.

Na época, há quase dois anos em casa devido à pandemia do Covid-19, a internet era meu único túnel de ligação com o mundo exterior, e eu, definitivamente, nunca havia passado tanto tempo nas redes sociais. Quase todas as minhas interações haviam sido transferidas para aquele lugar, e era pela internet que eu me abastecia das notícias do mundo e supria minha necessidade de pertencer a uma conversa.

Além disso, havia outras camadas nessa história. Especialmente nesse período, o Brasil presenciava um boom de lançamentos de plataformas de streaming e, tanto por trabalhar com isso, como também porque filmes e séries sempre foram minha grande paixão, me vi soterrada por um monte de assinaturas de serviços.

Uma variedade de plataformas suficiente para me despertar um sentimento de urgência: se eu havia assinado, precisava consumir. E, como jornalista da área e pessoa que queria se sentir incluída naquele universo, de repente me vi correndo atrás de uma linha de chegada inalcançável: a de querer estar a par de tudo, a todo momento.

O panorama do streaming no Brasil

Não eram uma, duas ou três plataformas de streaming que eu assinava entre o final de 2021 e começo de 2022. Eram nove! Um número alto se pensarmos no tamanho do catálogo de cada uma delas, mas ainda pequeno se comparado à quantidade de serviços que o Brasil possui.

Durante a pandemia, esse mercado se tornou ainda mais competitivo com a chegada de três grandes serviços no país, que caíram no gosto do brasileiro.

Dois deles, o Disney+ e a HBO Max (grupo WarnerMedia), segundo dados apresentados pelo JustWatch, no final de 2021, já pularam logo para o terceiro e quarto lugar entre as plataformas do gênero mais assinadas do Brasil. Enquanto isso, o Star+ (também do grupo Disney), despontou em sétimo na corrida.

Além disso, esses serviços chegaram por aqui com um extenso catálogo de produções. Para se ter ideia, só o Disney+, além de todo o conteúdo próprio da Disney, contava ainda com as marcas Pixar, Marvel, Star Wars e National Geographic em sua plataforma. Já a HBO Max tinha produções da HBO, Warner Channel, TNT, DC Comics e os filmes da Warners Bros no currículo, enquanto o Star+ vinha com os esportes da ESPN, filmes que tinham acabado de passar nos cinemas e séries como Os Simpsons, This is Us e The Walking Dead.

Era uma quantidade esmagadora de títulos que se somavam, mensalmente, a ainda mais conteúdos populares e originais que estreavam em cada um dos serviços.

A decisão de filtrar as assinaturas

Foram longos meses dessa relação confusa – e fadada ao fracasso – com os serviços que assinava, em uma corrida contínua em que eu desejava estar por dentro de tudo. Até que exausta, tomei a única decisão possível.

Quase como um detox, cancelei assinaturas que não faziam mais sentido (e que eu poderia voltar a assinar eventualmente para ver a nova temporada de uma série), cortei parte do tempo que passava nas redes sociais e me apeguei a um bote-salva-vidas que não poderia ter sido mais providencial: a volta ao convívio social, que mesmo restrita, com máscara e muitos cuidados, gradualmente se tornou uma realidade.

Nesse processo, procurei entender também mais sobre FOMO, a palavra que havia aparecido ainda em novembro na minha cabeça, e que ajudou a me mostrar que eu não estava sozinha nessa situação e que esse sentimento era muito mais comum do que eu imaginava.

Entendendo o verdadeiro significado de FOMO

“Fear of Missing Out ou ‘medo de ficar de fora’ é um conjunto de sentimentos, pensamentos e comportamentos incômodos que muitas pessoas, principalmente as que fazem uso intenso de redes sociais, apresentam. É um medo de exclusão social e uma vontade de pertencer a um grupo, momento ou até a um evento sobre o qual muitas pessoas estão falando”, explica Ana Luiza Apolônio, psicóloga comportamental, em entrevista ao Tecnoblog.

O termo, usado pela primeira vez nos anos 90 pelo estrategista de marketing Dan Herman, ganhou ainda mais projeção nos últimos anos e, apesar de não ser exatamente uma patologia (ele não está listado no DSM, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), constitui uma série de sintomas intimamente ligados à ansiedade e ao estresse mental e emocional. Algo que, na pandemia, encontrou um campo fértil para crescer, como esclarece Ana Luiza.

“O isolamento mudou a forma de nos relacionarmos socialmente. Passamos a interagir mais pelas redes sociais e a consumir mais por elas também, assim ficamos expostos a uma quantidade infinita de conteúdos. E isso não é necessariamente ruim. O problema é quando somos jogados nesse mundo de excesso de conteúdo e acabamos sendo consumidos por ele, não o contrário”, afirma.

As várias faces do FOMO

No meu caso, havia um contexto muito específico com os streamings, mas a verdade é que o FOMO pode se apresentar de muitas maneiras, inclusive em âmbitos fora da internet.

No contexto digital, no entanto, em que temos os algoritmos de redes sociais trabalhando para reforçar certos conteúdos e um fluxo intenso de informações diárias, a sensação de precisar entender ou fazer parte de tudo o que está sendo falado, é quase intrínseca ao meio. “Em um ‘passeio’ pelas redes sociais e pelas plataformas de streaming, se não assumimos o lugar de consumidores, somos consumidos”, aponta Ana Luiza.

Isso pode significar achar que você precisa estar em dia com todas as séries e filmes lançados recentemente, mas também que precisa checar a cada cinco minutos suas mensagens no WhatsApp, que não pode deixar de participar de tendências e investimentos que fazem sucesso pela internet, que precisa aproveitar eventos e conteúdos limitados de jogos de videogame ou até mesmo que precisa estar presente em todas as redes sociais.

Se todos estão – ou ao menos aparentam estar – consumindo, comprando, fazendo, jogando e vivendo essas coisas, é comum sentirmos que se não fizermos o mesmo, estaremos deixando de passar por uma experiência valiosa. O que torna tão difícil filtrar esses estímulos externos.

“É importante lembrar que em maior ou menor grau todos experimentamos o medo de exclusão social e isso não é motivo de preocupação. Esse medo só é considerado um problema quando traz consequências negativas para nós e/ou para os outros, atrapalhando nosso funcionamento ou nos afastando de coisas importantes”, esclarece a psicóloga.

Como dar adeus à sobrecarga e focar na saúde mental

Para quem se reconheceu nessas situações, é importante avaliar o que está errado e fazer pequenas alterações na rotina. Para mim, por exemplo, ajudou bastante cancelar alguns serviços de streaming, aprender a desapegar desse acúmulo de listas e metas a cumprir e me distanciar do uso excessivo das redes sociais.

Cada pessoa, no entanto, enfrenta esses processos de maneiras muito diferentes. Até mesmo porque, para grande parte da população, a internet e seu ecossistema de redes sociais e notícias já está intrinsecamente ligada ao dia a dia. O que quer dizer que dar esse passo para trás e se desconectar do mundo online nem sempre é fácil – ainda que, muitas vezes, necessário.

Para lidar com tudo isso, a ajuda especializada de profissionais da psicologia ou psiquiatria é fundamental. Um tratamento correto é indispensável para que você cuide da sua saúde mental e da manutenção da sua relação com os meios digitais.

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