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Especialistas explicam riscos de suplementos para treinos em academias

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Bastante populares nas academias de ginástica, os suplementos alimentares prometem melhorar a performance nos treinos e trazer resultados mais efetivos. Mas, sem acompanhamento profissional e sem seguir as orientações de uso do fabricante, os riscos podem ser muitos. A Agência Brasil conversou com a cardiologista Rica Buchler, diretora de reabilitação cardíaca do Instituto Dante Pazzanese, e com a nutricionista Priscila Moreira, que integra o Conselho Regional de Nutricionistas em São Paulo. Elas orientam sobre as formas saudáveis e seguras de melhorar o condicionamento físico.

“Ele [suplemento] tem uma gama muito ampla de variação e muitos são vendidos na internet sem controle clínico. Vemos casos de arritmias e problemas cardíacos por suplementos. Tenho muito receio. São equivocados os suplementos pré-treino pelo teor de cafeína que eles podem ter. É preciso ter cautela, mesmo seguindo as regras do fabricante”, alerta a cardiologista.

Priscila não descarta o uso de suplementos, desde que seja feito com um acompanhamento profissional. Ela aponta que é fundamental observar a rotina alimentar na hora de considerar um suplemento. “Ele serve como um recurso ergogênico, ou seja, algo que vai ajudar a melhorar a sua performance, o seu desempenho, no exercício ou um recurso para complementar o que está faltando”, explica. A nutricionista acredita que a avaliação individualizada permite um consumo saudável.

A nutricionista, que é especialista em cardiologia, tem a mesma preocupação com os suplementos que contêm cafeína. “Um adulto saudável pode consumir no dia até 400 mg de cafeína, porém, como eu sei que esse adulto realmente está saudável? Só após avaliação cardiológica, e não são todos os praticantes de esportes que procuram um cardiologista”, lamenta. Nesse sentido, a recomendação dela é, a priori, optar por produtos que não tenham esse componente. 

Rica lembra que este período requer uma atenção ainda maior, pois percebe-se o retorno de muitas pessoas aos treinos após algum tempo de sedentarismo por conta do distanciamento social em razão da pandemia. “É como forçar um carro com pouco combustível a subir uma ladeira puxada”, compara. Ela acrescenta que a forma física, o condicionamento e o ganho muscular requerem um trabalho constante. “Excesso de cafeína pode levar a um efeito maléfico cardíaco porque ele está estimulando a musculatura que não está preparada”, orienta.

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Cardiologista ressalta necessidade de acompanhamento profissional para uso de suplementos por quem treina em academias – José Cruz/Agência Brasil

Complemento

A médica explica que as fórmulas dos produtos são variadas e vão de “cafeína [com doses elevadas] até substâncias que aumentam o calor corporal”. Ela acrescenta que não se enquadram nesse rol os produtos como Whey Protein. “É uma reposição de proteína que pode ser adicionada à rotina de pessoas que fazem atividade física, de forma diluída”, aponta, ao acrescentar, no entanto, que uma dieta balanceada pode já oferecer as proteínas necessárias. A cardiologista ressalta ainda a necessidade de acompanhamento profissional.

Para Priscila, o uso dessas substâncias que podem ser consideradas complementares, pois já são produzidas pelo organismo, também pode representar risco à saúde se consumidos em excesso. “Não adianta um indivíduo não ter um consumo diário de proteína adequado e apenas usar o suplemento. Ele é um complemento para que esse consumo seja aumentado diante do objetivo que ele tenha com treinamento. Aí existe um risco de consumo caso o indivíduo já tenha, por exemplo, um consumo alto de proteínas ao longo do dia e ele fizer um consumo de um suplemento de proteínas. Há risco de sobrecarregar, por exemplo, a função renal dele”, aponta, ressaltando a necessidade de uma avaliação nutricional prévia.

Desafio no TikTok

Nas redes sociais, o uso de suplementos sem diluição se tornou um desafio entre alguns usuários do TikTok. A prática é mais comum fora do Brasil, mas é possível acessar vídeos que mostram pessoas ingerindo o produto em pó e que, em seguida, apresentam tremores nas mãos, provocados pelo produto. “Não faltam exemplos na mídia de pessoas que têm infarto jovem ou que têm problema em academia, como arritmias, e, às vezes, óbito. É muito arriscado”, alerta.

A cardiologista explica que, mesmo fazendo a ingestão de uma mesma quantidade que, pela recomendação, deveria ter sido diluída, há muita diferença para a superfície de absorção do corpo. “Se você diluir na água, o suplemento vai ser absorvido uniformemente na parede do estômago.”

Ela acrescenta que mesmo os produtos que considera mais seguros podem trazer sobrecarga para algum órgão. “Ao tomar o pó, ele vai estar na forma pura, muito mais potente. Até no caso do Whey, por exemplo, mesmo não tendo cafeína, se tomado dessa forma, quem depura tudo isso – o excesso de proteína, quem elimina – é a creatina, é o rim, e o órgão tem um limite para filtrar”, explica.

Priscila acrescenta que o consumo sem diluição, especialmente dos produtos que possuem cafeína, pode provocar desidratação pelo efeito diurético deles. “Espera-se que, para o início do treinamento, a gente tenha um consumo de água de pelo menos em torno de 250 até 500 ml, dependendo do tamanho do peso do indivíduo”, orienta.

E a desidratação também traz riscos à saúde do coração. “Quando eu consumo um suplemento que tem ativos que aceleram a diurese ou ativos que até fazem com que a pessoa transpire mais, e sem o consumo de água, ela pode ter até problemas relacionados à função cardíaca mesmo, com a elevação dos batimentos cardíacos, em decorrência de uma desidratação. A gente chama de hiponatremia”, explica.

Edição: Juliana Andrade

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Covid-19: população ainda não tomou segunda dose de reforço

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A população do Rio de Janeiro não aderiu em massa à dose de reforço da vacina contra a covid-19. Segundo os dados do painel da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), entre as pessoas com 50 anos ou mais, apenas 47% tomaram a segunda dose de reforço. O primeiro reforço atingiu 70,3% dos adultos, a partir dos 18 anos, sendo mais prevalente conforme a idade aumenta.

A população com 40 anos ou mais da cidade começou a receber a segunda dose de reforço na terça-feira (21) e, até o momento, apenas 10% das pessoas nessa faixa compareceram aos postos. O primeiro reforço foi recebido por 68% dessa faixa etária.

A faixa que mais aderiu à segunda dose de reforço foi a que tem de 70 a 74 anos, com 63% de vacinados com as quatro doses. O primeiro reforço chegou a 94%. Na faixa de 65 a 69 anos o segundo reforço está em 58% e o primeiro em 96%.

Na população mais jovem, apenas 55% entre 30 e 39 anos recebeu o primeiro reforço, proporção que cai para 47% em 20 e 29 anos e para 26% dos adolescentes de 12 a 19 anos.

No painel da Secretaria de Estado de Saúde (SES) não consta o acompanhamento da aplicação da segunda dose de reforço. O primeiro reforço foi tomado por 8% dos adolescentes de 12 a 17 anos do estado, 29% dos jovens de 18 a 29 anos, 36% dos adultos de 30 a 39, 47% entre 40 a 49 anos, 56% de 50 a 59, 74% na faixa de 60 a 69 anos, 78% entre os que tem de 70 a 79 anos e 72% dos maiores de 80 anos tomaram as três doses.

Esquema básico

Entre as crianças de 5 a 11 anos da capital, 304,5 mil receberam o esquema completo com as duas doses da vacina contra a covid-19. Mas 113,4 mil ainda não iniciaram a imunização, o que corresponde a 20% da população estimada pela prefeitura nessa faixa etária. No estado, são 56% das crianças de 5 a 11 anos com a primeira dose e 33% com as duas.

Na semana passada, a (SES) informou que o estado tem dois milhões de pessoas que poderiam se vacinar, a partir dos 5 anos de idade, e não receberam nenhuma dose; além de 1,5 milhão que tomaram apenas a primeira.

Todas as pessoas a partir dos 5 anos de idade devem ser vacinadas contra a covid-19, com o esquema básico de duas doses ou a dose única da Janssen. A primeira dose de reforço é recomendada para todas as pessoas com 12 anos ou mais, com um intervalo mínimo de 4 meses após a segunda dose.

A segunda dose de reforço está sendo aplicada em toda as pessoas a partir dos 40 anos, com intervalo de 4 meses do primeiro reforço, além dos trabalhadores da saúde com 18 anos ou mais.

Janssen

A SMS destaca também que, segundo orientações do Ministério da Saúde, quem tomou a dose única da fabricante Janssen deve receber mais uma dose de reforço. Dessa forma, quem tem entre 18 e 39 anos de idade precisa completar o esquema vacinal contra o coronavírus com três doses. Quem tem a partir de 40, deve ter quatro doses aplicadas.

No caso da Janssen, a primeira dose de reforço segue um intervalo de dois meses e as doses seguintes um intervalo de quatro meses entre cada uma delas. O reforço pode ser feito com a Pfizer, Janssen ou AstraZeneca.

Edição: Pedro Ivo de Oliveira

Fonte: EBC Saúde

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