65 99230 9678 | 65 3055 2070

CUIABÁ

ECONOMIA

Copom deve elevar Selic a 13,75% nesta quarta; alta pode ser a última

Publicados

ECONOMIA

Selic deve ter aumento hoje
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Selic deve ter aumento hoje

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve promover o 12º aumento consecutivo na taxa básica de juros nesta quarta-feira (3), elevando a Selic em 0,50 ponto percentual, a 13,75% ao ano. Essa, pelo menos, é a avaliação da maioria dos participantes do mercado.

A questão é saber se será a última alta ou se o ciclo de aperto monetário deve continuar ainda em setembro. Neste caso, não há consenso.

Levantamento feito pelo GLOBO com 30 casas mostra uma expectativa para Selic em 13,75% em agosto. Com isso, os juros devem voltar a patamar visto em novembro de 2016, quando a taxa também estava em 13,75%.

Destas 30 casas, 20 apostam que esse será a última elevação dos juros, quatro acreditam que a taxa vai encerrar 2022 aos 14% e cinco, em 14,25%. Uma das assets consultadas não divulgou previsão para Selic ao fim do ano.

Entre no  canal do Brasil Econômico no Telegram e fique por dentro de todas as notícias do dia. Siga também o  perfil geral do Portal iG

“Dois movimentos importantes e que sugerem a elevação de 0,50 ponto percentual são as expectativas altas de inflação para 2023, que é para onde o Banco Central está olhando, e o fato do mercado já trabalhar com isso há algum tempo e o banco não ter se incomodado”, destaca o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani.

Ancorar as expectativas

Se por um lado o Banco Central (BC) já deu sinalizações de que a magnitude do aperto monetário implementado até então é relevante, por outro, a deterioração das expectativas de inflação no médio prazo faz com que parte dos agentes espere que a taxa suba a pelo menos 14% ou até mesmo a 14,25% até o final do ano.

No último Boletim Focus, relatório semanal divulgado pelo BC com as expectativas de agentes de mercado, a projeção para o IPCA ao final de 2023 subiu pela 17ª semana consecutiva , indo a 5,33%.

O número é superior ao teto da meta da autoridade monetária, de 4,75%. A estimativa para a Selic ao final de 2023 avançou de 10,75% para 11%, alimentando as expectativas por juros altos por mais tempo.

Vale lembrar que quando o BC aumenta os juros já está pensando em um horizonte mais à frente, no caso o ano-calendário de 2023 e, em menor escala, o de 2024.

Na avaliação da economista para o Brasil do BNP Paribas, Laíz Carvalho, ainda há espaço para novas altas de juros após agosto. O banco trabalha com Selic a 14,25% no fim deste ano.

“A expectativa do mercado para as inflações de 2023 e 2024 estão acima do centro da meta do Banco Central. Para trazer a inflação de 2023 para perto de 4%, nível sinalizado após os comunicados da última reunião e no Relatório de Inflação, ele terá que continuar o ciclo de alta”, afirma.

O que virá no comunicado?

Nas últimas reuniões, além de anunciar a nova taxa, o banco já contratava uma próxima alta. Para Padovani, do BV, isso não deve ocorrer desta vez. O BV espera que o ciclo se encerre nesta quarta-feira.

“Os BCs têm aprendido que o ambiente é muito instável e é sempre arriscado se comprometer com certos movimentos. O entendimento nosso é que o comunicado deva ser um pouco lacônico. Ele deve deixar as portas abertas”, analisa.

A economista-chefe da Claritas, Marcela Rocha, espera também um aumento para 13,75% e o final do ciclo. Sobre a mensagem para o futuro, ela avalia que o BC sinalize um meio termo, de que essa seria a última alta, mas deixando uma possibilidade de mais uma alta de 0,25 ponto percentual caso os sinais de inflação fiquem mais fortes.

“Há um consenso de que o IPCA deve desacelerar nos próximos meses, mas o Copom vai olhar não só o número cheio, mas a abertura dos indicadores. Se os dados forem piores do que o esperado, as expectativas podem continuar subindo e isso pode ser o vetor para que o Copom tenha que subir um pouco mais a taxa de juros”, diz.

Olho no fiscal

Após o anúncio das medidas de estímulo anunciadas recentemente pelo governo, como as medidas contidas na PEC Eleitoral e no estabelecimento de um teto para alíquotas do ICMS, diversos bancos e gestores revisaram para cima as suas previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano e para baixo as de inflação.

Em 2023, contudo, a expectativa é de uma contração na economia, também influenciada pelo cenário externo mais desafiador, e de alta na inflação.

Caio Megale, economista-chefe da XP, ressalta que o Copom deve considerar o risco fiscal nas decisões além da que será tomada na reunião desta quarta-feira. Ele aponta que as despesas previstas na PEC Eleitoral, como o auxílio de R$ 600, podem ser prorrogadas para o ano que vem, o que pressiona a demanda e a inflação em 2023.

“Se for prorrogado para o ano que vem, principalmente os R$600, tem impacto adicional de demanda interna, de renda, que tende a manter mais prolongada a pressão na inflação de serviço. Isso é o que põe em risco não essa reunião agora, mas provavelmente o espaço que ele tem para cortar os juros no ano que vem”, afirma.

A previsão da XP é que essa será a última alta nos juros deste ciclo e que o Copom deixará a “porta aberta” para a próxima reunião, ou seja, deixará a possibilidade de continuar elevando a Selic para acompanhar os dados econômicos até lá.

“Esse nível de atividade mais alto acaba adiando o efeito contracionista da política monetária sobre a atividade. Agora esperamos que esse efeito negativo aconteça no quarto trimestre de 2022, comparado com nosso cenário anterior que era no terceiro”, diz Laíz, do BNP.

Cenário externo

Assim como o BC brasileiro, diversas autoridades monetárias passaram a elevar suas taxas básicas. Na semana passada, o Fed, banco central americano, voltou a subir juros em 0,75 ponto percentual .

Como destaca Padovani, a alta dos juros nas economias desenvolvidas tende, por um lado, a enfraquecer a economia global. Isso tende a afetar o preço de commodities e pode reduzir parte da inflação importada.

No entanto, em cenário de menor crescimento e maior incertezas, há uma tendência de valorização do dólar, o que encarece os custos dos produtos e serviços, gerando inflação.

“Quando a gente tenta ponderar esses dois movimentos, vemos que os BCs subindo juros mais ajudam que atrapalham. A inflação no Brasil vai desacelerar, mas não em um ritmo suficiente. A questão é a velocidade com que isso vai acontecer” disse Padovani.

Segundo Megale, da XP, com um cenário externo mais positivo para a inflação, com queda nos preços das commodities e uma desaceleração da atividade econômica mundial mais clara, o BC poderá parar as altas nos juros.

“Acho que isso torna o cenário prospectivo de inflação mais balanceado, ainda desafiador, mas ele já estava com vontade de parar, já tinha sinalizado há algum tempo essa intenção de parar. Os juros já estão quase a 14%, com o mundo vindo na direção dele, acho que vai deixar mais aberto”, afirmou.


Fonte: IG ECONOMIA

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

ECONOMIA

Ministro diz que desemprego cairá para 8% antes do fim do ano

Publicados

em

Atualmente em 9,3%, a taxa de desemprego pode cair para 8% antes do fim do ano com a recuperação econômica, disse hoje (9) o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele participou, nesta noite, da abertura do congresso da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em Brasília

“Antes de o ano acabar nós estamos descendo [a taxa de desemprego] para 8%. Vamos terminar o ano com o menor desemprego que já vimos nesses últimos 10, 15 anos”, declarou o ministro.

Na avaliação de Guedes, o Brasil está entrando num longo ciclo de investimentos. Segundo ele, a economia brasileira está em situação melhor que a de países desenvolvidos, que estão entrando em recessão, e que a de outros países latino-americanos, que estão “desmanchando”, nas palavras do ministro.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a taxa de desemprego atingiu, no trimestre encerrado em junho, o menor nível para o período em sete anos. Guedes atribuiu parte da recuperação do mercado de trabalho à melhoria do ambiente de negócios, com a redução da burocracia. “O Brasil está em um longo ciclo de crescimento. Criamos um ambiente de negócios que já tem contratos de R$ 890 bilhões. É 10 vezes o que um ministro investe”, ressaltou.

Renegociação de dívidas

Sem dar detalhes, Guedes disse que a equipe econômica pretende ampliar os programas de transação tributária (renegociação de dívidas com o governo). Segundo ele, o comércio, os serviços e o setor de eventos devem ter as mesmas possibilidades para regularizar os débitos que outros segmentos afetados pela pandemia de covid-19 tiveram nos últimos anos. Guedes disse que o modelo de transação tributária já foi desenhado pelo Ministério da Economia.

O ministro repetiu declarações recentes de que, diferentemente de outros países, o Brasil atravessou a pandemia sem que a dívida pública explodisse. “O Brasil está de pé. Atravessou duas grandes guerras”, declarou.

Em 2019, a dívida bruta do governo geral estava em 74,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Com os gastos extras relacionados à pandemia, chegou a 88,8% em 2020. Com a recuperação da economia e o aumento da arrecadação, tem caído e está atualmente em 78,2% do PIB.

Abertura comercial

Destacando que o Brasil está com o plano de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aprovado, Guedes afirmou que empresas europeias passaram a manifestar interesse em investir no Brasil após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. “Hoje, existe essa percepção e, com a guerra da Ucrânia, a ficha caiu para eles”, comentou.

Guedes disse ter conversado com um ministro francês (sem citar o nome) para pedir que a Europa abra o mercado aos produtos brasileiros. “Nosso comércio com vocês [a Europa] era de US$ 2 bilhões no início do século. Com a China foram US$ 2 bilhões também. Hoje, nós comercializamos com vocês US$ 7 bilhões. E comercializamos com a China US$ 120 bilhões”, relatou Guedes, em suas palavras, ao representante do governo francês.

“Vocês estão ficando irrelevantes para nós. É melhor vocês nos tratarem bem porque se não vamos ligar o ‘foda-se’ para vocês e vamos para o outro lado porque estão ficando irrelevantes”, acrescentou.

Edição: Fábio Massalli

Fonte: EBC Economia

Continue lendo

MAIS LIDAS