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‘Aponte onde tem dinheiro’, diz Bolsonaro sobre reajuste a servidores

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‘Aponte onde tem dinheiro que eu dou’, diz Bolsonaro sobre reajuste a servidores
Reprodução/Youtube

‘Aponte onde tem dinheiro que eu dou’, diz Bolsonaro sobre reajuste a servidores

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (23) que alguns servidores públicos federais estão ‘revoltados’ com ele porque não haverá reajuste salarial neste ano. “Me aponte onde tem dinheiro que eu dou”, declarou Bolsonaro em conversa com apoiadores no cercadinho do Palácio da Alvorada.

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“Alguns estão revoltados comigo: ‘Ah, não vai dar reajuste este ano’. Pô, vê como que está a economia. Me aponte onde tem dinheiro que eu dou agora o reajuste. A solução é fazer greve, estão preparando. Não adianta botar a faca no meu pescoço. Não tem”.

“É o filho que o pai está desempregado pedindo uma bicicleta no Natal. Não tem, por mais que ele mereça”, comparou.

Bolsonaro ainda justificou a falta de reajuste a fatores externos, como a pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia e a “ganância da Petrobras”. 

Reajuste linear

Ainda no ano passado, Bolsonaro prometeu reajuste salarial apenas para policiais federais, policiais rodoviários federais e agentes penitenciários, que compõem sua base eleitoral.

Entretanto, a promessa gerou insatisfação de outras categorias do funcionalismo público, como as de servidores do Banco Central, do Tesouro Nacional e da CGU (Controladoria Geral da União), que iniciaram movimentos grevistas para pressionar o governo.

Em resposta, o Planalto passou a avaliar a possibilidade de conceder um reajuste linear de 5% a todas as categorias. A ideia, porém, custaria cerca de R$ 6,3 bilhões aos cofres públicos. E o governo havia reservado apenas R$ 1,7 bilhão no Orçamento 2022 para isso.

Neste mês, no entanto, anunciou que esse dinheiro seria usado para abater do montante total que precisava ser contingenciado dos ministérios. Em maio, o Ministério da Economia havia anunciado que o bloqueio de recursos do Orçamento ficaria em R$ 8,2 bilhões. Com a decisão,  ficou em R$ 6,9 bilhões.

Justificando falta de espaço no Orçamento, Bolsonaro descartou o reajuste linear de 5%. Em contrapartida, prometeu dobrar o vale-alimentação dos servidores públicos federais.

Agora, corre contra o tempo para que essa ideia saia do papel nos prazos determinados pela lei em ano de eleição.

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Chance da inflação estourar teto da meta é ‘próxima de 100%’, diz BC

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Banco Central vê altas chances de estouro do teto da meta da inflação
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Banco Central vê altas chances de estouro do teto da meta da inflação

O Banco Central (BC) calcula uma probabilidade “próxima” de 100% para o estouro da meta de inflação neste ano, de acordo com o Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira (30).

A meta deste ano é de 3,5% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o BC não vê chance da inflação neste ano ficar abaixo de 5%, o teto desse intervalo.

Na última previsão da autoridade monetária, a inflação terminaria o ano de 2022 em 8,8%. A prévia da inflação de junho chegou a 12% no acumulado dos últimos doze meses, de acordo com o IBGE.

Em março, na última edição do Relatório Trimestral de Inflação, o cálculo era de uma chance de 88% de estouro da meta.

A legislação prevê que caso a inflação fique fora do intervalo de tolerância, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, precisa escrever uma carta para o ministro da Economia explicando as razões e o que a autoridade monetária fará para evitar um novo estouro.

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Campos Neto já escreveu uma carta dessa, enviada no início deste ano para o ministro da Economia, Paulo Guedes. O texto justificava o porquê da inflação em 2021 ter ficado em 10,06%, quando o centro da meta era de 3,75%.

Combustíveis em alta

De acordo com o relatório, os principais fatores que elevaram as revisões de inflação são a alta nos preços de petróleo, atividade econômica mais forte do que o esperado, além do crescimento nas expectativas de inflação e da inflação observada pelo IBGE. Também há pressão do setor de serviços e de bens industriais.

O documento destaca a inflação dos preços livres, que deve se reduzir ao longo do tempo por conta das altas de juros e também dos preços administrados.

“Entre os preços administrados, destacam-se, como itens inflacionários para 2022, combustíveis, produtos farmacêuticos, plano de saúde, emplacamento e licença e taxa de água e esgoto; atua em sentido contrário energia elétrica em função do comportamento das bandeiras tarifárias e da incorporação de estimativa dos efeitos do Projeto de Lei nº 1.280/2022”, aponta o relatório, citando o projeto que determinou a devolução de tributos para os consumidores.

Chance maior em 2023

Além disso, o BC também elevou a probabilidade de estouro da meta de inflação em 2023, apesar de ainda estar baixa.

O relatório aponta chance de 29% de que o IPCA fique acima de 4,75% no ano que vem, o teto da meta de 3,25%. No relatório de março, a probabilidade era de 12%.

Já a chance da inflação em 2023 ficar abaixo do piso da meta, de 1,75% ao ano, é de 5%, de acordo com o BC.

A previsão do BC é que a inflação fique em 4% no ano que vem. Em entrevista na semana passada, Roberto Campos Neto e o diretor de Política Econômica do BC, Diego Guillen, afirmaram que a estratégia de política monetária atual é que a inflação fique “ao redor” de 4%, ressaltando que seria um número abaixo desse patamar.

Para 2024, quando a meta será de 3%, o BC calcula probabilidade de 19% de ficar abaixo do piso e 10% de estourar o teto.

Fonte: IG ECONOMIA

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