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Aéreas reclamam de falta de concorrência nos combustíveis em Guarulhos

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Terminal 1 de Guarulhos
Guilherme Dotto

Terminal 1 de Guarulhos

Três associações que representam mais de 80% do setor aéreo no mundo enviaram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nesta quinta-feira uma petição em que aifirmam estar preocupadas com a restrição à competição no segmento de combustível de aviação no Aeroporto Internacional de Guarulhos, o principal do Brasil.

O documento foi enviado no âmbito de um processo movido no órgão antitruste pela Gran Petro, empresa que busca se estabelecer como fornecedora de combustível de aviação em Guarulhos desde 2014. A companhia afirma que o pool formado por Raízen, Vibra (antiga BR Distribuidora) e Air BP barram a sua entrada no local de maneira artificial.

O caso aguarda julgamento do plenário do Cade e é considerado emblemático por especialistas. A Superintendência-Geral do órgão já havia se manifestado, em 2020, a favor de condenar as três empresas que formam o pool por prática anticompetitiva. A petição das associações foi endereçada ao relator do processo, o conselheiro Luiz Augusto Hoffmann e coloca pressão sobre o órgão.

Embora as empresas aéreas não sejam parte no processo, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), a Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (Alta) e a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) se manifestaram no caso pedindo para que o Cade tome medidas para garantir a competição. As três entidades, juntas, representam 290 linhas aéreas.

As associações citam um parecer do Ministério Público Federal no âmbito do caso, emitido em outubro de 2021, que reconhece barreiras à competição no aeroporto de Guarulhos.

O combustível é o custo mais relevante para as companhias aéreas: pode ultrapassar os 40% do custo do segmento. O querosene de aviação tem seu preço atrelado ao dólar. No Brasil, onde as empresas já sofreram com a retração da demanda durante as diversas ondas da pandemia no país, o quadro se agrava.

No documento, as associações ressaltam que, em 2021, o querosene de aviação aumentou 71%, sendo que apenas em outubro, houve aumento de 20%. No Brasil, as companhias consomem por ano cerca de 7 bilhões de litros de querosene de aviação.

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“Na visão das empresas de transporte aéreo representadas pelas associações, não é recomendável a existência de obstáculos, ainda que artificiais, à entrada de novos atores no aeroporto. A existência de tais barreiras pode afetar negativamente a concorrência, bem como impactar diretamente nos custos e preços praticados no mercado dos combustíveis de aviação, o que afeta toda a cadeia de consumo e o setor aéreo como um todo”, afirma o documento.

Segundo as associações que representam as linhas aéreas, a decisão do Cade no caso terá impacto, inclusive, na adoção no Brasil de combustíveis como o querosene de aviação JET-A, regulamentado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) no ano passado, e de alternativas como o bioquerosene pelo setor aéreo.

O JET-A é comercializado no mercado internacional, mas só teve regulamentação no Brasil em outubro de 2021. Com isso, passou a poder ser importado e produzido no Brasil. A medida é comemorada pelas grandes empresas aéreas porque o processo de produção e armazenagem do JET-A é mais simples (e mais barato) que o do JET-A1, usado atualmente no Brasil.

“Essa implementação foi muito aguardada pelo setor, pois possibilitará a importação de JET-A de maneira mais eficiente. oriunda da Costa do Golfo dos EUA, com custos gerais mais atrativos, que irão concorrer com os preços de JET-A produzido internamente no país. Tal medida além de proporcionar um potencial impacto na redução dos custos para as empresas aéreas, ainda proporcionará o aumento da concorrência no mercado de combustíveis de aviação, de modo que as empresas poderão importar mais facilmente esse tipo de combustível e não precisarão depender apenas da oferta interna”, diz o documento. 

Para as associações, no entanto, “o beneficio total só poderá ser alcançado quando as regras de acesso às infraestruturas necessárias para distribuição dos combustíveis forem mais claras e transparentes, desde o seu armazenamento portuário, o compartilhamento de dutos e querodutos, bem como a infraestrutura existente dentro dos aeroportos.”

As entidades manifestam preocupação ao Cade e afirmam que “impactos futuros nos custos de distribuição desses combustíveis” podem torná-los “mais caros e prejudicar o setor aéreo como um todo”.

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Petrobras: Senador quer que STF investigue interferência de Bolsonaro

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Bolsonaro é acusado de interferir na Petrobras
Isac Nóbrega/PR

Bolsonaro é acusado de interferir na Petrobras

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apresentou um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o presidente Jair Bolsonaro (PL) por suposta interferência na Petrobras. A ação é motivada após o ex-presidente da companhia Roberto Castello Branco afirmar, em um grupo privado, que seu antigo telefone tinha provas que poderiam incriminar o mandatário.

Em um grupo privado de mensagens com economistas, Castello Branco diz que antigo seu celular corporativo tinha mensagens e áudios que provavam que Bolsonaro tinha interferido na Petrobras. O caso foi antecipado pelo site “Metrópoles”.

O aparelho foi devolvido à companhia após Castello Branco ter deixado a presidência da Petrobras, no início do ano passado. Na conversa, o ex-presidente não detalha quais seriam os crimes que Bolsonaro teria cometido.

No pedido ao STF, Randolfe pede, além da abertura do inquérito contra Bolsonaro, por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR), que Castello Branco preste depoimento sobre o caso e que o celular citado seja apreendido para ser periciado. O senador pede também que as mensagens que eventualmente forem encontradas sejam divulgadas.

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“Solicitamos a Vossa Excelência que se oficie ao Procurador-Geral da República para analisar a abertura de inquérito investigativo em face do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, para que esclareçam os fatos e os eventuais crimes cometidos por ele contra o erário público, com a tomada urgente de depoimento do Sr. Roberto Castello Branco, ex-presidente da Petrobras, e de Rubem Novaes, ex-presidente do Banco do Brasil, bem como a tomada das medidas acautelatórias indispensáveis ao esclarecimentos dos fatos, tais como a busca e apreensão do telefone celular indicado, a sua perícia e a imediata publicidade sobre os conteúdos que digam respeito ao caso, que contempla manifesto interesse público subjacente”, disse no documento.

Randolfe pede ainda que a apreensão do celular seja feita o mais rápido possível a fim de evitar que o conteúdo das mensagens sejam apagados.

“Tal medida acautelatória é, por pressuposto, urgente, na medida em que há real risco de iminente apagamento de todos os dados que porventura impliquem o Presidente da República em atos criminosos.”

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